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segunda-feira, 1 de junho de 2015

O que é… o VIBRATO? #003


canto celeste
Imagem de http://www.cantoyhabla.com.ar/articulos14_1.php

Definição de VIBRATO = O Vibrato é um efeito musical que consiste numa ligeira ondulação/oscilação regular no som com uma finalidade expressiva, seja na voz cantada ou nos instrumentos de cordas e de sopro.

Pode ser caracterizado em termos de variação tonal (profundidade) e em termos de velocidade da ondulação (ritmo).

Consiste num jogo de tensão-distensão dos músculos: da língua, do palato mole, da faringe, dos músculos elevadores e depressores da laringe e dos músculos directamente ligados à epiglote e ao aparelho respiratório (incluindo o diafragma). É um fenómeno de baixa frequência, de 6 a 7 vibrações por segundo.

Surge então quando existe um equilíbrio perfeito entre músculos que possuem funções opostas (ex.: elevadores-depressores; adutores-abdutores; extensores-constritores; inspiradores-expiradores). 

Imagem de http://www.listening-singing-teacher.com/Vibrato.html
  
Seidner (1982): “Um vibrato equilibrado é a expressão de uma voz saudável e o resultado de mudanças regulares de tensão sobre todo o equilíbrio entre respiração e vibração da laringe, no sentido de uma correcta coordenação muscular e de uma forma económica de trabalhar.”

A sua amplitude varia com a intensidade do som e com a frequência, e varia à volta do meio-tom. É mais vibrante e mais acutilante quanto maior a intensidade, já que acompanha em paralelo o movimento da amplitude do som. É um movimento oscilatório regular na sua periodicidade.


Desenvolvemos o tema do Vibrato no artigo 


Alguma Bibliografia:

·  HARRISON, Peter T. (2006), The Human Nature of the Singing VoiceEdimburgo, Dunedin Academic Press.
·  HUSLER, Frederick; RODD-MARLING, Yvonne (1983), Singing – The Physical Nature of the Vocal Organ, Londres, Hutchinson & Co (Publishers) Ltd.
·  LINKLATER, Kristin (1976), Freeing the Natural Voice, New York and Hollywood, Drama Publishers – Quite Specific Media Group Ltd.
·  McCALLION, Michael (1998), The Voice Book, Londres, Faber and Faber.
·  MENDES, Ana; GUERREIRO, David; SIMÕES, Marina; MOREIRA, Miriam (2013), Fisiologia da Técnica Vocal, Loures, Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda.


terça-feira, 21 de abril de 2015

O que é... a VOZ? #002


Definição de VOZ: a voz é o som produzido pelo aparelho fonador humano, aparelho esse constituído por vários órgãos com funções principais nos aparelhos respiratório e digestivo. Resumidamente, a sua fisiologia consiste em 3 fases:
ana celeste ferreira, canto celeste 
1 – Produção: os músculos expiradores, o diafragma e os pulmões produzem a coluna de ar (expiração) que pressiona a laringe, originando a vibração nas pregas vocais.
2 – Vibração: a laringe, constituída pelas pregas vocais, mucosa endo-laríngea, e vários músculos, ossos, cartilagens e ligamentos, produz o som vibratório fundamental, mais concretamente através da vibração das pregas vocais.
3 – Ressonância: a faringe, o espaço bucal e as cavidades nasais ampliam e modulam o som, que será também articulado e transformado em palavras, por acção dos lábios, língua e mandíbula.

É portanto a expressão sonora do indivíduo, que o nosso ouvido percepciona quando o fluxo de ar expiratório se transforma em som por acção de tecidos que vibram, cavidades que ressoam e estruturas que se movimentam e articulam sons.

A voz é também um instrumento musical privilegiado e universal, que pode executar música a solo ou em grupo, sem ou com acompanhamento de um instrumento ou de uma orquestra, tornando-se assim meio de expressão artística e cultural. Em relação à tessitura, as vozes femininas classificam-se de forma geral em Soprano, Mezzo-Soprano e Contralto, enquanto as masculinas se dividem entre Tenor, Barítono e Baixo.

ana celeste ferreira, canto celeste
É um modo de expressão anterior a qualquer modelo linguístico, mas é simultaneamente origem e instrumento da linguagem. Constitui o suporte material de verbalização do pensamento e da expressão, através da palavra. A voz é também um veículo de ligação do sujeito ao outro, constituindo assim um factor de relação dadas as suas qualidades humanas e artísticas.

Possui uma combinação de características únicas em cada indivíduo, e o som de cada voz pode ser objectivamente analisável e classificável quanto à sua intensidade, altura, ritmo, entoação, etc., e subjectivamente analisável em relação ao timbre e às atitudes e estados de espírito que revela a cada momento.

Através da técnica vocal, é possível controlá-la e aperfeiçoá-la, incrementando a sua qualidade e rendimento sonoro e a sua resistência. Deve ser alvo de cuidados de saúde e higiene vocais, que incluem consultas de rotina esporádicas no otorrinolaringologista, principalmente para os profissionais de voz.

Segundo Dale Carnegie, “É acima de tudo nas inflexões e nos matizes da voz que reside a força expressiva da linguagem humana.”


Para quem nunca espreitou uma laringe ou observou o movimento das pregas vocais através de uma laringoscopia, encontra um vídeo muito giro aqui.  


Algumas Fontes Bibliográficas:

--- CARNEGIE, Dale (1962), Como Falar Facilmente, Porto, Livraria Civilização – Editora.
--- CHAPMAN, Janice L. (2012), Singing and Teaching Singing – a Holistic Approach to Classical Voice, San Diego, Plural Publishing.
--- FERREIRA, Léslie Piccolotto; COSTA, Henrique Olival (2000), Voz Ativa – Falando Sobre o Profissional da Voz, São Paulo, Editora Roca.
--- MARTINS, M. Raquel (1988), Ouvir Falar – Introdução à Fonética do Português, Lisboa, Caminho.
--- MENDES, Ana; GUERREIRO, David; SIMÕES, Marina; MOREIRA, Miriam (2013), Fisiologia da Técnica Vocal, Loures, Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda.
--- VIEIRA, Margarida Magalhães (1996), Voz e Relação Educativa, Porto, Edições Afrontamento.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

SAÚDE VOCAL #003: Dia Mundial da Voz – 16 de Abril


canto celeste
 Em 1999, surgiu no Brasil a Campanha Nacional da Voz, por iniciativa do Dr. Nédio Steffen, Otorrinolaringologista de Porto Alegre (Brasil). Este médico, enquanto presidia a Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz (SBLV), apercebeu-se de lacunas no acesso a informações relacionadas com os problemas vocais, e lançou a Campanha da Voz para alertar, consciencializar e informar a população em geral sobre a importância dos cuidados com a saúde vocal.

Assim aconteceu, em 1999 no Brasil, a 1ª Semana Nacional da Voz, com atendimentos e rastreios gratuitos por todo o país, e também com a realização de palestras sobre a fisiologia da voz, a higiene vocal, as principais doenças da laringe e os respectivos meios de prevenção.

O sucesso da campanha brasileira foi tão grande que outros países decidiram adoptar esta ideia!

Esse trabalho de sensibilização para as necessidades da Voz foi reconhecido pelos mais importantes órgãos da Otorrinolaringologia mundial, como a FederaçãoInternacional das Sociedades de Otorrinolaringologia, a Academia Americana de Otorrinolaringologia e a SociedadeEuropeia de Otorrinolaringologia.

Este reconhecimento gerou a aliança responsável pela homologação do “1º Dia Mundial da Voz”, instituído em 2003, e que desde então se comemora oficialmente a 16 de Abril!

canto celestePortugal, Espanha, Bélgica, Suíça, Itália, Argentina, Chile, Venezuela, Panamá e Estados Unidos participaram logo das duas primeiras edições internacionais da campanha, e mais países aderiram ao evento nos anos seguintes.

Links úteis:

Canto Celeste: artigo sobre Saúde e Higiene Vocal

quarta-feira, 18 de março de 2015

SAÚDE VOCAL #002: Postura e Voz

Esta questão foi colocada pelo A. Simão através de e-mail:

[[[Olá, Estou a escrever porque tenho uma dúvida… Pergunto se uma postura esquisita, que obrigue a uma tensão nos músculos do abdómen e uma concentração exagerada no equilíbrio, pode fazer com que, por ser anormal, a voz deixe de estar apoiada no diafragma?

É que acabei de fazer um espectáculo com esta particularidade, além de ter de interpretar uma quantidade enorme de texto, falar muito alto e numa sala grande (o que fez com que todos os dias ficasse um pouco rouco no final do espectáculo) e gostaria de saber se teria sucedido o mesmo se estivesse numa postura natural?]]]


alinhamento vertebral, técnica vocal
Sem dúvidas: o facto de utilizares a voz com o corpo em qualquer estado de tensão faz com aconteçam desequilíbrios vocais. Em relação à postura, basta que o alinhamento entre a cabeça, o pescoço e as costas não esteja vertical e relaxado para que a voz se ressinta.

Parece-me, pelo que descreveste, que o que contribuiu para as disfonias (neste caso, as rouquidões) foi não só o facto de teres utilizado a voz com o corpo numa postura desalinhada, como por te encontrares num estado de tensão muscular. Não se trata de a voz estar ou não apoiada no diafragma, mas sim de:
1- o alinhamento do tronco não se encontrar vertical, mas desalinhado,
2- o corpo não se encontrar relaxado, mas tenso.

Naturalmente, teres previamente desenvolvido a técnica vocal teria proporcionado algumas formas de defesa, mesmo em presença de uma postura e tensão muscular mais "anti-natura", que te permitissem adaptar as posturas e movimentos físicos necessários ao espectáculo de forma a não acontecer tanto abuso vocal. O ideal será sempre consultar um orientador de voz e, se possível, realizar um treino específico para cada performance vocal.

Mas já sabemos que nem sempre é possível ter esta orientação em cada trabalho... Por isso é recomendável (ou fundamental) obter uma preparação vocal prévia, regular e sólida, de forma a possuíres a ferramenta técnica a nível postural que ajude a aumentar o conforto da voz!


sexta-feira, 13 de março de 2015

SAÚDE VOCAL #001: Saúde e Higiene Vocal

Não, lavar os dentes faz parte dos cuidados de Higiene Oral! :)

Além desta existe também a Higiene Vocal: todos os hábitos que podemos adoptar e manter, ou evitar, em prol de uma Voz saudável e eficaz! São, no fundo, medidas profiláticas das disfonias (consultar "Dicionário Vocal – Disfonia").

postura correcta, ana celeste ferreiraPermitido!

--- Manter uma postura correcta ao utilizar a voz: corpo erecto, com correcto alinhamento do eixo cabeça-pescoço-costas, e relaxado.

--- Aquecer a voz antes do esforço vocal, através dos exercícios aprendidos em sessões de Técnica Vocal (seja na voz Falada ou Cantada).

--- Manter o aparelho fonador hidratado, ingerindo entre 1,5 a 2 litros de água por dia, de preferência à temperatura ambiente.

--- Praticar uma alimentação saudável, rica em alimentos leves e de fácil digestão (frutas, legumes, vegetais, peixe, frango).

--- Dormir o suficiente (7 a 9 horas por dia) e descansar nos períodos de maior trabalho vocal.

--- Fazer repouso vocal após o uso intensivo da voz.

--- Relaxar e trabalhar o controlo emocional, através de Yoga, Tai-Chi, etc., para atenuar as tensões aquando da performance vocal.

--- Praticar exercício físico regularmente; são recomendáveis as actividades físicas que desenvolvam a forma cardiovascular, como a natação, o ciclismo, a corrida ou caminhada, a aeróbica, a dança, etc.

aulas de canto, aulas de voz, Ana celeste ferreira--- Aprender a ouvir a própria qualidade vocal, através de formação em técnica vocal falada ou cantada, para reconhecer o esforço e as tensões desnecessárias e conseguir assim evitá-las.

--- Em caso de sintomas ou dificuldades a nível vocal, consultar um médico Otorrinolaringologista ou um Terapeuta da Fala.


A Evitar!

--- Evitar permanecer muito tempo em lugares ruidosos e barulhentos, antes e depois do esforço vocal, já que obrigam à competição sonora entre a voz e o ruído.

--- Evitar ambientes refrigerados ou aquecidos por ar condicionado, já que este retira a humidade do ar.

--- Evitar também ambientes com poeira, mofo ou cheiros fortes e irritantes (vernizes, tintas, combustíveis, insecticidas, etc.).

--- Evitar tossir ou pigarrear, pois provocam atrito nas pregas vocais; optar por engolir saliva ou beber água para afastar a sensação incómoda.

--- Evitar alimentos pesados, muito condimentados ou gordurosos antes da utilização da voz, e também antes de deitar, para evitar o refluxo gastroesofágico.

--- Moderar o consumo de café, chá preto e bebidas com gás, entre outras bebidas irritantes.

--- Evitar usar roupas apertadas junto ao pescoço e cintura (golas altas, cintos apertados, calças ou saias muito justas) e sapatos de salto muito alto.

--- Para as senhoras, evitar esforços vocais durante o período pré-menstrual, já que as alterações hormonais facilitam o desenvolvimento de disfonias.


Proibido!

--- Evitar o cigarro, grande inimigo de quem trabalha com a voz.

--- Evitar locais poluídos com fumo, seja ele originado por tabaco, fogueiras, escapes de automóveis, etc.

--- Não utilizar o álcool ou qualquer outro tipo de drogas como desinibidores, pois ressecam e anestesiam a garganta, possibilitando abusos vocais.

--- Não fazer esforço vocal ou cantar quando não se apresentam boas condições de saúde, principalmente no caso de estados gripais ou crises alérgicas.

--- Não expor o aparelho fonador a choques térmicos, como mudanças bruscas da temperatura do ar ou alimentos e bebidas geladas ou muito quentes.

aula de técnica vocal, ana celeste ferreira--- Evitar gritar, falar muito alto ou sussurrar, já que submetem as pregas vocais a um esforço exagerado, causando atrito.

--- Evitar entrar nas reservas de ar durante o uso da voz falada, ou seja, respirar bem!

--- Não trabalhar a voz ou ensaiar por mais de uma hora sem descanso.

--- Nunca tomar medicamentos por conta própria; o uso de pastilhas, sprays ou analgésicos/anti-inflamatórios sem orientação médica pode mascarar ou agravar os sintomas, e trazer graves consequências a longo prazo; por outro lado, o mesmo medicamento resulta de forma diferente em diferentes organismos.

--- Evitar também o recurso a chás e infusões de efeito desconhecido: nem sempre contribuem para resolver o problema e podem irritar ou ressecar as mucosas.

quinta-feira, 12 de março de 2015

O que é... a DISFONIA? #001

Definição de DISFONIA: É um distúrbio de comunicação caracterizado por dificuldades na emissão vocal, e cujo sintoma geral é um impedimento na produção natural da voz. Esse impedimento pode estar relacionado com a altura, a intensidade e/ou a qualidade da voz.

ana celeste ferreira, canto celesteAs causas das disfonias podem estar relacionadas com disfunções orgânicas e/ou funcionais, tais como a paralisia das pregas vocais, edema de Reinke, papilomatose laríngea, tumores laríngeos, cistos, abuso vocal, uso incorrecto da voz, inadaptação vocal, alterações psicoemocionais, falta de higiene vocal, etc.

As disfonias orgânicas desenvolvem-se independentemente do uso da voz, pois têm origem em disfunções morfológicas. As disfonias funcionais surgem no contexto de utilização vocal incorrecta, uso abusivo da voz e falta de cuidados de saúde vocal. Algumas disfonias poderão ser caracterizadas como orgânico-funcionais, uma vez que têm origem numa causa funcional mas evoluem para lesões morfológicas, como é o caso de alguns nódulos ou pólipos nas pregas vocais.

A disfonia é mais frequente em indivíduos que utilizam a voz diária e abundantemente de uma forma incorrecta e, em função da causa, pode ter diversos sintomas: uma ausência total de voz (afonia), dificuldade em emitir som ou em sustentá-lo, cansaço ao falar e cantar, fraca qualidade do som (voz tensa, abafada, áspera ou roufenha), uma altura tonal demasiado grave ou aguda, perda de projecção e de amplitude tonal, irritação ou ardor na garganta, hemorragias, etc.

Como evitar as disfonias?

Higiene e Saúde Vocal: tomada de consciência em relação a hábitos prejudiciais à voz, e alteração dos comportamentos em prol da saúde vocal;

Treino Vocal: frequência de formação que permita alterar os hábitos posturais, respiratórios e fonatórios; aprendizagem prática da correcta utilização da voz e manutenção desses hábitos. É indispensável para conseguir uma fonação saudável, eficiente e agradável, principalmente para quem trabalha com a voz.

Consultas médicas no Otorrinolaringologista: de rotina (para os profissionais da voz, grupos de risco) ou assim que surgirem os primeiros sintomas de perturbações, para que se possa detectar e tratar precocemente os problemas.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Como produzir ou desenvolver o VIBRATO?


canto celeste, ana celeste ferreira

(Em resposta à questão colocada pela Isa)


Para uma definição de Vibrato, consultar o artigo 


Muitos mitos existem à volta do tema do vibrato.

O vibrato natural é um indicador do verdadeiro Canto saudável: uma voz bem centrada é capaz de nuances e detalhes delicados enquanto permanece vibrante de vida e tonicidade. 


Uma voz hesitante (com vibração frouxa) não é subtil nem expressiva, e um vibrato não-natural torna impossível uma afinação exacta. Uma voz bem equilibrada encontra-se em harmonia no seu todo, enquanto mantém a sua individualidade, enquanto uma voz desequilibrada origina conflitos tonais, acústicos e musicais.

O vibrato na voz é natural por duas boas e óbvias razões: em primeiro, as pregas vocais vibram para produzir som, e em segundo, o diafragma, crucial tanto para as dinâmicas estruturais da voz como para o seu conteúdo emocional, encontra-se em constante movimento subtil, espelhado pelo palato mole. Lembremos também que o mecanismo de suspensão da laringe não é estacionário: o seu efeito estabilizador é sustentado de forma elástica. Uma coordenação precisa destas dinâmicas físicas assegura que o vibrato permanece natural e que não se torna desenfreado ou intrusivo.

canto celeste
Imagem de http://www.listening-singing-teacher.com/Vibrato.html
O vibrato natural da voz cantada é uma ferramenta da sua projecção, significativa de vigor e energia, e facilita a emoção genuína na vocalização. A falta de vibrato significa, em termos expressivos, falta de vigor e/ou de conforto físico. A emoção com um vibrato natural, por outro lado, pode ser profunda e intensamente tocante.

O vibrato torna-se indomável quando uma voz perde a sua integridade e equilíbrio: quando, por exemplo, se tem de lidar com música “pesada” de forma inapropriada, ou quando uma voz é encorajada a soar mais madura ou “operática” de forma artificial. Uma voz hesitante é aquela que não se encontra suficientemente ou livremente ancorada, e que exige um “apoio” calculado e artificial. Uma voz saudável mantém sempre a sua flexibilidade, a sua capacidade de ser incisiva e a sua beleza jovem.

Daqui concluímos que o treino do Canto é a única forma de gerar e/ou desenvolver o vibrato natural, através de uma correcta e equilibrada tonificação e relaxamento (simultâneos) de toda a estrutura muscular do aparelho fonador. Existem vozes que vibram sem qualquer treino técnico como base, mas mesmo essas, através da formação prática, irão ganhar em precisão, qualidade e abertura desta característica da Voz.

Se grande parte da estrutura vocal, como a língua, o palato mole, a faringe, a laringe (que inclui as pregas vocais), o diafragma e os músculos inspiradores e expiradores, entra em vibração aquando da produção da Voz Cantada, então é natural que o som oscile, através de pequenas variações na altura do som!

canto celeste
Imagem de http://singing.about.com/od/Singing101/fl/Controlling-Vibrato.htm
Alguma Bibliografia:

·  HARRISON, Peter T. (2006), The Human Nature of the Singing Voice, Edimburgo, Dunedin Academic Press.
·  HUSLER, Frederick; RODD-MARLING, Yvonne (1983), Singing – The Physical Nature of the Vocal Organ, Londres, Hutchinson & Co (Publishers) Ltd.
·  LINKLATER, Kristin (1976), Freeing the Natural Voice, New York and Hollywood, Drama Publishers – Quite Specific Media Group Ltd.
·  McCALLION, Michael (1998), The Voice Book, Londres, Faber and Faber.
·  MENDES, Ana; GUERREIRO, David; SIMÕES, Marina; MOREIRA, Miriam (2013), Fisiologia da Técnica Vocal, Loures, Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda.