domingo, 21 de junho de 2015

Tradução de Canção #001 - “The Owl and the Pussycat”, Seiber

“The Owl and the Pussycat”, de Mátyás Seiber

Música: Matyás Seiber (Hungria 1905 – África do Sul 1960)
Partitura: “Seiber: The Owl and the Pussycat”, editora Schott
Texto: de Edward Lear (Reino Unido 1812 – Itália 1888)
Obra Literária: Nonsense Songs, Stories, Botany and Alphabets
canto celeste
Màtyas Seiber.
Foto: Zeneakadémia 
képgyűjteménye
Tradução livre: Ana Celeste Ferreira


canto celeste
Edward Lear
W. Holman Hunt - Walker Art Gallery, Liverpool















ORIGINAL:
The Owl and the Pussy-Cat went to sea
In a beautiful pea-green boat;
They took some honey, and plenty of money
Wrapped up in a five-pound note.
The Owl looked up to the stars above,
And sang to his small guitar:
"O lovely Pussy! O Pussy, my love,
What a beautiful Pussy you are,
You are, You are!
What a beautiful Pussy you are!"

Pussy said to the Owl: "You elegant fowl,
How charmingly sweet you sing!
Oh, let us be married; too long we have tarried!
But what shall we do for a ring?"
They sailed away for a year and a day
To the land where the bong tree grows;
And there in a wood, a piggy-wig stood
With a ring at the end of his nose,
His nose, His nose.
With a ring at the end of his nose.

"Dear Pig, are you willing to sell
for a shilling Your ring?"
Said the piggy, "I will."
So they took it away, and were married next day
By the turkey who lives on the hill.
They dined on mince and slices of quince,
Which they ate with a runcible spoon,
And hand in hand at the edge of the sand
They danced by the light of the moon,
The moon, the moon.
They danced by the light of the moon.

canto celeste
Ilustração de Donna L. Derstine
TRADUÇÃO LIVRE:
O Mocho e a Gatinha foram para o mar
Num bonito barco verde-ervilha;
Levaram algum mel, e muito dinheiro
Embrulhado numa nota de 5 libras.
O Mocho olhou para as estrelas no céu
E cantou, com a sua pequena guitarra:
"Ó querida Gatinha! Ó Gatinha, meu amor,
Que bonita Gatinha tu és,
Tu és, tu és!
Que bonita Gatinha tu és!

A Gatinha disse para o Mocho: "Sua avezinha elegante,
Tão doce e charmoso é o teu canto!
Oh, vamos casar; já esperámos demasiado!
Mas onde encontraremos um anel?"
Então navegaram por um ano e um dia
Até à terra onde cresce a árvore mágica;
E aí, num bosque, encontraram um porquinho
Com um anel na ponta do nariz,
Do nariz, do nariz.
Com um anel na ponta do nariz!

"Querido Porco, aceitas vender
Por um cêntimo o teu anel?"
Disse o Porco, "Sim, aceito."
Então eles levaram-no, e foram casados no dia seguinte
Pelo Peru que vive no monte.
Jantaram carne picada e fatias de marmelo,
Que comeram com uma colher enferrujada;
E de mão em mão, até à orla da areia,
Dançaram à luz da lua,
Da lua, da lua,
Dançaram à luz da lua.

canto celeste
Copyright 2014 - Beatrice Tinarelli

terça-feira, 2 de junho de 2015

O que ando a LER! #004 – “Singing and Teaching Singing”

canto celeste


de Janice L. ChapmanSinging and Teaching Singing, a Holistic Approach to Classical Voice

Autor: Janice L. Chapman
Publicação: 2011 (2ª edição), Oxfordshire, United Kingdom
Edição: Plural Publishing
Língua: inglês
Tipologia: Livro Técnico
Categorias: Canto, Voz, Técnica Vocal, Pedagogia Vocal
Catalogação: ISBN-10: 1597564265, ISBN-13: 978-1597564267

Encontram uma excelente crítica aqui, e podem comprá-lo aqui

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O que é… o VIBRATO? #003


canto celeste
Imagem de http://www.cantoyhabla.com.ar/articulos14_1.php

Definição de VIBRATO = O Vibrato é um efeito musical que consiste numa ligeira ondulação/oscilação regular no som com uma finalidade expressiva, seja na voz cantada ou nos instrumentos de cordas e de sopro.

Pode ser caracterizado em termos de variação tonal (profundidade) e em termos de velocidade da ondulação (ritmo).

Consiste num jogo de tensão-distensão dos músculos: da língua, do palato mole, da faringe, dos músculos elevadores e depressores da laringe e dos músculos directamente ligados à epiglote e ao aparelho respiratório (incluindo o diafragma). É um fenómeno de baixa frequência, de 6 a 7 vibrações por segundo.

Surge então quando existe um equilíbrio perfeito entre músculos que possuem funções opostas (ex.: elevadores-depressores; adutores-abdutores; extensores-constritores; inspiradores-expiradores). 

Imagem de http://www.listening-singing-teacher.com/Vibrato.html
  
Seidner (1982): “Um vibrato equilibrado é a expressão de uma voz saudável e o resultado de mudanças regulares de tensão sobre todo o equilíbrio entre respiração e vibração da laringe, no sentido de uma correcta coordenação muscular e de uma forma económica de trabalhar.”

A sua amplitude varia com a intensidade do som e com a frequência, e varia à volta do meio-tom. É mais vibrante e mais acutilante quanto maior a intensidade, já que acompanha em paralelo o movimento da amplitude do som. É um movimento oscilatório regular na sua periodicidade.


Desenvolvemos o tema do Vibrato no artigo 


Alguma Bibliografia:

·  HARRISON, Peter T. (2006), The Human Nature of the Singing VoiceEdimburgo, Dunedin Academic Press.
·  HUSLER, Frederick; RODD-MARLING, Yvonne (1983), Singing – The Physical Nature of the Vocal Organ, Londres, Hutchinson & Co (Publishers) Ltd.
·  LINKLATER, Kristin (1976), Freeing the Natural Voice, New York and Hollywood, Drama Publishers – Quite Specific Media Group Ltd.
·  McCALLION, Michael (1998), The Voice Book, Londres, Faber and Faber.
·  MENDES, Ana; GUERREIRO, David; SIMÕES, Marina; MOREIRA, Miriam (2013), Fisiologia da Técnica Vocal, Loures, Lusociência – Edições Técnicas e Científicas, Lda.


AUDIOPOEMA #005: “O Atalante – Jean Vigo (1934)”, José Miguel Silva

No dia em que fomos ver O Atalante
eu levava, por coincidência, um cubo de gelo
no bolso do casaco. Lembro-me de tremer
um pouco. Até aí, tudo bem. Pior,
foi quando te ouvi pronunciar, distintamente:
quem procura o seu amor debaixo de água,
acaba constipado.
Na altura, ri-me: pensei que falavas do filme.
Sou tão estúpido.


poema: “O Atalante – Jean Vigo (1934)”
autor: José Miguel Silva (1969-)
obra: Movimentos no Escuro, Relógio d´Água, 2006, pág. 14

voz: Ana Celeste Ferreira
fotografia: Renato Roque
captação e edição sonora: Ricardo Caló

sexta-feira, 15 de maio de 2015

AUDIOPOEMA #004: “Canção Alentejana”, João Habitualmente




Canção Alentejana

A menina estava à janela
com o seu cabelo ao vento

Pus-me nela
mas nem mesmo da vidraça
da minha própria janela
lhe podia ver a graça espelhada no relento

E nem mesmo a vi a ela

Não me vou daqui embora
(nem que chovam canivetes)
sem levar uma prenda tua
sem levar a roupa dela

Pode ser que seja bela
e enquanto estiver nua
hei-de à noite pôr-me nela
na minha pobre janela
com o meu cabelo à lua.


poema: “Canção Aletejana”
autor: João Habitualmente (1961-)
obra: Os Animais Antigos, Objecto Cardíaco, 2006

voz: Ana Celeste Ferreira
fotografia: Ernesto Ferreira
captação e edição sonora: Ricardo Caló

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Videoclip "Sonho Engraçado", projecto Rubim


Videoclip da canção "Sonho Engraçado", 
do álbum Incursões do projecto Rubim, 
com participação do Coro dos Pequenos Cantores da Maia! 

Para conhecerem o álbum, lançado em Novembro de 2013, 
podem espreitar o site do projecto aqui


A nossa próxima actuação acontecerá 
na sexta 15 de Maio 2015, às 21:30 no Fórum da Maia

Apareçam!

ana celeste ferreira canto celeste

AUDIOPOEMA #003: “Na Biblioteca”, Manuel António Pina



Na Biblioteca

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.


poema: “Na Biblioteca”
autor: Manuel António Pina (1943-2012)
obra: Poesia Reunida, Assírio & Alvim, 2001, pág. 181

voz: Ana Celeste Ferreira
fotografia: Luis Mateus - Lounge Fotografia
captação e edição sonora: Ricardo Caló